
O que dizer do Cairo? Tenho sempre medo de dar um julgamento que possa parecer depreciativo ou preconceituoso, mas... comparar e chamar uma cidade como Rio de Janeiro ou São Paulo, ou até mesmo qualquer capital do Brasil de "terceiro mundo" me pareceu uma ofensa diante do Cairo. Acho que se eu pudesse resumir o Cairo, arquitetonicamente falando, eu diria que é uma mistura da Barra Tijuca com a favela da Rocinha, mas tudo muitoooooo menos glamuroso.
A cidade é super poluída. O meu nariz e a minha garganta ardiam o tempo todo. Nada, é claro, que não pudesse ser suportado. O conselho é: levar sempre umas balinhas na bolsa e esses soros que a gente pinga no nariz. O trânsito é super caótico, as faixas para pedestre e os semáforos são quase inexistentes. Para atravessar a rua o truque é: calcular a direção e a velocidade dos carros e correr pra outra calçada. Aconselho pedir perdão de todos os pecados antes... porque se você cantar para subir, pelo menos vai para o andar de cima, certo?
O guia Lonely Planet aconselhava se juntar a algum morador local, e atravessar a rua junto com eles, que talmente acostumados ao ritmo local, "jamais" são atropelados.
Os carros são tão velhos, mas tão velhos, que é bem corriqueiro ver carros enguiçados e/ou motoristas empurrando os carros. E todos amassados ou arranhados. Todos dirigem fazendo zigue-zague e as vezes os carros ficam tão perto, que algum deles arranca o retrovisor do outro carro. Por isso que muita gente dirige com os espelhos retrovisores fechados.

Reservar um hotel também deve ser uma pesquisa minuciosa: não vale muito a pena escolher hotéis muito no centro da cidade. O barulho das buzinas e a chamada à oração nas mesquitas, pode fazer com que as horas de sono, para quem tem sono leve, sejam interrompidas. É sempre melhor pedir um andar bem alto e/ou quarto que não dê para a rua principal. Se isso for possível, é claro. Detalhe: o Hilton Ramses é um leeshoooooooo.
Depois de vencer o impacto inicial, chega a hora de começar a curtir a viagem. Eu acho que o tesouro mais rico é o que eu chamo de "material humano". As pessoas foram sempre maravilhosas. Acho que de um certo ponto eles são bem semelhantes a muitos brasileiros: curiosos, sorridentes, atenciosos, camaradas. Essa é uma das partes que mais me emocionou nessa viagem. Dizer que era brasileira e ver as pessoas abrirem dois olhos enormes, e um sorriso estupefato... e até me dar presentes :-)
Mas o que mais massageou o meu ego foi ser chamada de black princess, por um beduíno charmoso, que vestia galabiya (aquele "vestidão" branco e comprido que os homens usam) e kefia (o famoso "lenço" xadrex estilo Yasser Arafat). LOL :-)
Aguardem os próximos capítulos de Incredible Egypt!
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