17.1.08

Incredible Egypt: o comércio dos turistas

Então...

Nós eramos turistas DIY: não fomos com agência de viagem, e nosso único guia eram as informações que lemos em sites de viagem. E também contamos sempre com a nossa "Bíblia para Viajantes: Lonely Planet.

Existem guias de viagem muitos mais "bonitinhos" e coloridos, com fotos, ilustrações, etc. Mas esses guias são para turistas. Viajantes usam guias práticos e com informações úteis.

No nosso hotel tinha uma espécie de business center, que servia tanto como agência de viagem, quanto um espaço para usar como internet point e para telefonar para o exterior, enviar fax, etc. Resolvemos comprar com eles uma excursão às pirâmides de Gizé (ou Guiza), que são as 3 pirâmides "urbanas" que estão dentro do Cairo + Esfinge.

O pacote que o hotel nos deu era bom, com motorista que vinha nos buscar na porta do hotel e nos trazer de volta. Tava parecendo bom demais, não é:

1) Na verdade o hominho que veio nos buscar, nos revendeu para outros hominhos... ele não era o nosso guia, na verdade ele era somente o nosso motorista, mas o hotel não nos explicou isso.

2) O nosso hominho-motorista não falava inglês, ou melhor, falava um inglês rudimentar e não sabia diferenciar as consoantes oclusivas labiais. Por exemplo: palace era pronunciando como "balaz. Ah! E ele não era o único.... Lindoooo de morrer o dia que outro hominho me pronunciou bazbort para "passaport". E considerando que eles também tem problemas sérios com vogais, já que na língua árabe as vogais são representadas por diacríticos, imaginem que maravilhaaaaaaaaaa se comunicar por lá. Mas tudo isso foi vivido com muito humor...

3) Quase chegando às pirâmides o nosso hominho-motorista nos levou ao Museu do Papiro. Lá ele nos vendeu ao hominho-papirólogo. Na verdade há várias lojas que se chamam Papyrus Museum, mas não são museu e, sim, uma normal loja que funciona da seguinte maneira... ou melhor... é uma armadilha (risos) que funciona da seguinte maneira:
a) O hominho te recebe cheio de sorrisos;
b) O hominho pergunta o teu nome e a partir daí ele te trata como se vocês fosses amigos de infância;
c) O hominho te oferece algo para beber;
d) O hominho pega uma muda da planta de papiro e constroi um papiro na tua frente.
Devo dizer que até aí a coisa é superrrrrr interessante. Aliás, ele nos deu uma aula super interativa. Mas ao terminar a parte interativa, começa a parte armadilha: uma queda-de-braço para te vender papiros, e te vender os papiros mais caros. Mas em queda-de-braço eu sou muito boa e acabei comprando somente 2 papiros de uns 18 euros cada um. Digamos que ele começou me mostrando um papiro de 150 euros.

4) Terminada a armadilha-papiro o nosso hominho-motorista nos leva para uma espécie de favela (mas para eles não é favela, é bairro...) e nos leva ao nosso guia, que por sua vez nos revende ao hominho-que-aluga camelos. Digamos que chamar é um eufemismo chamar o hominho de guia, porque ele sabia menos sobre a história das pirâmides do que eu. As pirâmides de Giza... hummm... são uma DECEPÇÃO. A esfinge... ohhh... é muito mais bonita nas fotografias.
Sabe aquelas coisas que você tem que usar a imaginação para poder imaginar toda a sua glória, importância, fascínio, etc?
Ainda considerando que a favela-bairro ao redor chega muito perto das pirâmides. Levando também em consideração que o nosso hominho-guia teve que pagar propina aos guardas para podermos cortar caminho com os camelos, e eles começaram a brigar em árabe.

5) Terminada a visita às pirâmides, tumbas e Esfinge, o hominho-guia nos revendeu ao hominho-que-aluga-camelos, que também possuia uma fábrica de essências. Digamos que a essa altura do campeonato eu estava PUTA DENTRO DAS CALÇAS, e querendo mandar todo mundo tomar no fiofó. Dizendo dentro de mim: "subdesenvolvidos, ladrões, desonestos, filhos-da-puta... quero ir emboraaaaaaaaa desse lugar agora!" Porque eu já sabia que eles iriam tentar vender a mãe. Mas sabem que não foi tão ruim? O hominho vende essências de todos os tipos de perfume, mas em forma de óleo. Era a antiga técnica que usavam para embalsarmar as múmias. E hojem eles reproduzem essência de qualquer tipo de perfume. Resumindo: comprei a essência do Chanel No. 5, pagando a bagatela de uns 30 euros, mas considerando que a quantidade de essência daria para fazer uns 5 vidros de perfume. Também comprei essência de flor-de-lotus e Federico comprou Davidoff. As essências são oleosas e dá até para colocar umas gotinhas na banheira. O hominho-camelo, que agora era hominho-perfume fazia questão de nos explicar quais flores eram usadas para as essências, como eles faziam os perfumes. etc.

6) Óbvio que a esse ponto eu não tinha mais dinheiro, então o hominho-motorista e o hominho-guia nos acompanharam ao caixa ATM e pagamos tudo.

7) O hominho-motorista ainda nos emprestou dinheiro (risos) porque o caixa eletrônico não dava mais do que 2.000 liras egípcias e, como sempre, Federico saiu do hotel sem levar nada no bolso.

8) Chegamos no hotel e eu fui pegar as 100 liras egípcias para devolver ao hominho-motorista. Ele reclamou perguntando se não daríamos uma gorjeta, porque ele ficou o dia todo à nossa disposição! Peraí... depois dele ainda ter tentado nos revender para uma loja de quinquilharias, de onde eu saí literalmente correndo, com o vendedor atrás de mim, dizendo: Madam, madam, good "brais" good "brais" (=good price). Federico disse que nós já havíamos pago pelo serviço dele, e pago muito bem.

Devo dizer que ao final desse dia eu estava com um humor do cão... mas do cão m-e-s-m-o. Em 1 dia de férias eu gastei uns 200 euros e se continuasse nesse ritmo eu estava vendo que iria à falência antes mesmo das minhas férias começarem.

Mas a partir daí fiquei malandra e Super-Neguinha entrou em ação...

Aguardem as próximas aventuras de Incredible Egypt.

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